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fevereiro 23, 2004

Zeca Afonso

No céu cinzento
Sob o astro mundo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés de veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Obrigado, Zeca !

Publicado por rpx às fevereiro 23, 2004 07:34 PM

Comentários

parece que valeu a pena este dia Z.

Publicado por: mago às fevereiro 23, 2004 10:54 PM

E no cinzentismo que atravessamos pairam os vampiros que nos vão sugando o sangue.

Publicado por: congeminações às fevereiro 23, 2004 11:22 PM